GENERAL ABREU E LIMA

O município de Abreu e Lima tem o seu nome em homenagem a um dos heróis da Revolução Praieira de1848 tendo em Maricota acontecida a 1º batalha da “Praieira” exatamente onde hoje se localiza o bairro da Matinha.

 
Nas veias do menino corria sangue revolucionário. O do seu pai, José ribeiro de Abreu e Lima, conhecido como “Padre Roma”. É que ele foi realmente frade, graduou-se em teologia na Universidade de Coimbra, Portugal, e ordenou-se em Roma, mas por pouco tempo. Teve as ordens sacerdotais suspensas, por não seguir os cânones conservadores do Vaticano.
  José Inácio de Abreu e Lima nasceu no dia 6 de abril de 1794, no Recife, numa família de senhores de engenho. O futuro general de Bolívar veio ao mundo cinco anos após a Revolução Francesa, quando suas ideias de liberdade, igualdade e fraternidade se espalhavam pelo mundo e tinham inspirado no Brasil a Conjugação Mineira, que ocorrera também em 1789, dando início á nossa história o legendário mártir Tiradentes.
 Participante ativo da Revolução Pernambucana de 1817, padre Roma foi enviado à Bahia para articular o levante ante imperial naquele estado. Preso em missão, foi executado três dias depois, sem delatar os companheiros nem os planos revolucionários. Uma tortura adicional: dois dos seus três filhos, Luís e José foram obrigados a assistir ao fuzilamento. José tinha então 23 anos e era um jovem capitão do exército brasileiro. O fato não o abateu; pelo contrário, o fato marcou o seu espírito revolucionário. Alguns anos depois viria a ser o bravo general bolivariano.

 Dois anos depois do fuzilamento do genitor, Abreu e Lima abandonou o exército brasileiro e engajou-se nas tropas de Bolívar, na Venezuela. Bolívar lutava, não apenas pela independência ante o invasor espanhol, mas pela formação de uma grande nação latino-americana. Fruto de sua campanha já se havia unificado Colômbia, Venezuela e Equador, formando a Grã-Colômbia e a luta se estendia vitoriosa nos territórios do Peru e da Bolívia, avançando pelo Chile e pela Argentina.

 E pouco tempo o jovem oficial brasileiro destacou-se na guerra de libertação, assumiu postos de comando e foi responsável pela vitória em várias batalhas, recebendo a patente de coronel em janeiro de 1824. Conflitos internos, que resvalaram para ataques pessoais levaram Abreu e Lima a sofrer uma suspensão do exército libertador e ao comprimento de pena de detenção por seis meses.

 Reabilitado, integrou o círculo de oficiais mais próximos e leais a Bolívar, de quem recebeu a patente de general.

Tendo retornado para o Recife em 1844, Abreu e Lima filiou-se ao Partido Liberal, denominado praieiro porque a sua ala amis radical editava um jornal com sede na Rua da Praia, denominado Diário Novo, em contraposição ao Diário de Pernambuco, chamado “Diário Velho”, por ser porta voz do conservadorismo. O jornal era impresso na gráfica do seu irmão, Luís Inácio Ribeiro Roma, ativo militante praieiro, que morreu durante a Revolução. Abreu e Lima escrevia nesse jornal, sempre dando notícias e fazendo comentários sobre os demais países latino-americanos e propugnando pela unidade continental. Por desavenças familiares, depois resolvidas, passou a editar seu próprio jornal, quase um boletim, denominado Barca de São Pedro.

 Recife continuava sendo um centro irradiador de mercadorias e de ideias para todo o nordeste e aí é que chegavam primeiro as notícias e obras produzidas na Europa. O comércio, dominado por estrangeiros, especialmente inglese e portugueses. No meio intelectual predominava o liberalismo radical e começavam a se disseminar ideias socialistas, do socialismo utópico, trazidas pelo engenheiro francês Louis Léger Vauthier, adepto de Fourier.

 Nacionalismo e socialismo utópico se juntaram e forma o motor da Revolução Praieira, desencadeada no dai 07 de novembro de 1848, dia do aniversário da Sabinada, luta pela independência travada na Bahia no ano de 1837. O manifesto da Praieira propugnava o fim do latifúndio, da escravidão, a nacionalização do comércio e trabalho digno para todos. Derrotados os revoltosos, centenas de liberais, radicais ou moderados são presos, julgados e condenados. Abreu e Lima foi sentenciado á prisão perpétua e levado para a ilha de Fernando de Noronha. Foi liberado em junho de 1850.

 Abreu e lima faleceu em sua casa no dia 18 de março de 1869, aos 75 anos de idade. Não pôde ser sepultado em cemitério brasileiro, porque o bispo Francisco Cardoso Ayres não permitiu, alegando liberalismo religioso. Foi aceito, ironia histórica, no Cemitério dos Ingleses. Em seu túmulo, colocou-se a inscrição: “ Aqui jaz o cidadão brasileiro José Inácio de Abreu e Lima, propugnador esforçado da liberdade de consciência”.

 Pouco lembrado no Brasil, mesmo em Pernambuco, a não ser pelo nome dado ao então município de Maricota, hoje cidade de Abreu e Lima, o nome do general bolivariano aparece com destaque no Monumento aos Próceres, em Caracas, homenagens aos estrangeiros que contribuíram com a causa da independência.

1 comentários:

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terça-feira, 12 de setembro de 2017 21:41:00 BRT ×

Excelente Historia, bastante enriquecedora.

Congrats bro Claudio Gomes you got PERTAMAX...! hehehehe...
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