LIXO TRANSFORMADO EM NEGÓCIO

Atendendo aos requisitos legais, a Coocares conseguiu capital de giro no valor de R$ 50 mil, via Banco do Brasil
A Cooperativa de Catadores Erick Soares (Coocares) começou como uma associação de catadores no lixão de Abreu e Lima em 2003 e hoje é responsável pela coleta de 62 toneladas de lixo por mês. Além dos 21 catadores, a cooperativa conta com apoio da prefeitura municipal, que se responsabiliza pelo pagamento dos alugueis dos galpões e por uma contrapartida mensal de quase R$ 40 mil. Esse valor é divido igualmente entre a Coocares e a Cooperativa de Reciclagem de Plástico (Coorepast), que também atua na cidade. 
Mais do que o impacto ambiental causado pela coleta seletiva, esse trabalho demonstra a capacidade de transformar um problema em uma oportunidade. A visão empreendedora dos catadores foi decisiva para regularizar as cooperativas e buscar linhas de crédito junto às instituições financeiras. Após atender todos os requisitos legais, a Coocares obteve um capital de giro no valor de R$ 50 mil junto ao Banco do Brasil.
A presidente da Coocares, Lindaci Maria, informou que depois de ser coletado, o lixo é separado por categoria, prensado e negociado com grandes empresas da RMR. O papel e o papelão são vendidos ao Grupo Ondunorte; as garrafas Pet são comercializadas com a Frontec; o plástico é entregue a Janga S/A Indústria e Comércio; e as 5 ou 6 toneladas de ferro coletadas por mês são repassadas ao setor metalúrgico. “Em média cada tonelada de lixo é vendida por R$ 450, que somados à contrapartida da prefeitura permite que cada cooperado possa manter a sua família com um salário razoável”, completou a catadora.
Segundo pesquisa divulgada neste ano pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), cada brasileiro produz 1,062 quilos de lixo por dia. O levantamento aponta que entre 2003 e 2014, a geração de lixo aumentou 29% no País. Esse aumento é equivalente a cinco vezes a taxa do crescimento populacional no mesmo período.
“Abreu e Lima tem uma população de aproximadamente 100 mil habitantes e como o município não suporta grandes custos por ter um orçamento limitado, a questão ambiental sempre fica em segundo plano. Isso torna ainda mais importante essa parceria com as cooperativas que além de contribuir com o meio ambiente também garante trabalho e renda para as famílias dos catadores”, explica o secretário de meio ambiente da cidade, Jobb silva.
Fonte Folha PE