ACIDENTES COM MOTO EM PE CUSTAM R$ 1,1 BILHÃO AOS COFRES PÚBLICOS

Motoboy Leandro Soares está há mais de um mês internado devido a um acidente de trânsito (Foto: Katherine Coutinho / G1)
Os acidentes com motocicletas custam aos cofres públicos R$ 1,1 bilhão em Pernambuco, incluindo as diferentes esferas de governo. Dos cerca de 46 mil acidentados em 2014, por exemplo, 74,6% eram motociclistas, segundo dados da Secretaria de Saúde. O Dia Nacional do Trânsito, celebrado nesta sexta-feira (25), traz no estado um alerta para esse tipo de acidente.
O motoboy Leandro Soares, de 30 anos, faz parte das estatísticas de trânsito. No dia 9 de agosto, ele sofreu um acidente na Avenida Domingos Ferreira, Zona Sul do Recife, e teve fratura exposta na perna, além de uma queimadura na virilha. “A pista estava um pouco escorregadia, um carro me trancou. Foi tudo muito rápido, a moto caiu por cima de mim”, recorda o motoboy.
Com mais de dez anos de carteira de motorista, esse foi o primeiro acidente grave de Leandro, que segue internado no Hospital da Restauração, área central da capital, após três cirurgias. “O pessoal anda muito estressado no trânsito. Tem, sim, muito motoqueiro imprudente, causando acidente com outras motos, mas tem também carro que se joga em cima das motos”, afirma.
O desrespeito no trânsito é um dos maiores motivos de acidentes, explica o secretário de Saúde de Pernambuco, Iran Costa. “As motos hoje são consideradas uma epidemia. Em 60% dos acidentes há envolvimento com alcoolemia, e cerca de 55% têm a ver com velocidade. Mais da metade não usa capacete. Tem muita imprudência, avanço de sinal”, cita o secretário.
Nos bairros do Recife, é comum ver pessoas em motos e cinquentinhas sem capacete; mais da metade dos acidentes são com pessoas sem equipamento de proteção (Foto: Katherine Coutinho/G1)

Atualmente, mais da metade dos leitos de trauma e Unidades de Terapia Intensiva (UTI) das emergências especializadas do estado estão ocupados por pessoas que sofreram acidentes de trânsito, especialmente com motocicletas. A Secretaria de Saúde tenta lidar com isso aumentando as fiscalizações da Lei Seca, que acontecem mesmo durante o dia.
Somente a pasta da Saúde em Pernambuco gastou cerca de R$ 500 milhões no último ano com acidentes envolvendo motocicletas – foram 6.358 pessoas internadas por esse motivo na rede estadual. O custo médio por paciente é de R$ 86 mil. “Os acidentes com carros existem e muito, mas há ferimentos com menor gravidade. Um acidentado de moto chega há ficar dois meses no hospital. Uma pessoa com pneumonia, dez dias”, compara Costa.
Romildo sente dores dois anos após acidente de
moto (Foto: Katherine Coutinho / G1)
Dilema
O pintor Romildo Mendes, de 37 anos, perdeu as contas de quantos acidentes de motocicleta sofreu. O último tem mais de dois anos e meio, mas ele ainda carrega as sequelas. “Sinto dor até hoje. Estou dando entrada na aposentadoria por invalidez, não consigo mais emprego”, explica o pintor, que foi vítima recentemente de um assalto e foi internado também na Restauração.

O acidente de Romildo aconteceu na Avenida Norte, na altura do bairro de Casa Amarela. Como em muitos casos, foi uma colisão com um carro. “Já passava da meia-noite. O carro surgiu do nada, veio para cima de mim e me atropelou. Tive uma fratura no fêmur, queimaduras”, recorda o pintor.
Mesmo com a gravidade do último acidente que sofreu, o motoboy Leandro Soares acredita que não consegue largar a motocicleta. “Eu saio do trabalho às 18h, não dá tempo de eu chegar no curso que faço se não for de moto. De carro, o custo é muito grande e de transporte público, demora muito. A moto é o mais prático ainda”, afirma.
Porém, Leandro garante que não quer repetir os erros que já viu pelas ruas. “Um dia, encontrei um cara sem a perna esquerda pilotando uma moto totalmente sem condições. Ele precisava apoiar a muleta no chão para parar a moto. Quando perguntei o que houve, ele mesmo disse que foi acidente de moto”, recorda o motoboy.
Em 2013, 741 pessoas que pilotavam ou pegavam caronas em motocicletas morreram, segundo dados da Secretaria de Saúde. Leandro perdeu um amigo neste ano por causa de um acidente de trânsito. “Ele vinha de moto e uma cinquentinha toda errada cortou ele. Essas cinquentinhas são um inferno, [os condutores] ultrapassam pela direita, não têm carteira”, reclama.
O Departamento Estadual de Trânsito (Detran), neste ano, publicou uma portaria para regularizar a situação das cinquentinhas, que agora tem obrigação de serem emplacadas no estado. O Governo Estadual já informou também que os veículos vão passar também a pagar Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Fonte: G1 PE