RECIFENSE ESPERA, EM MÉDIA, 35 MINUTOS POR UM ÔNIBUS, AFIRMA PESQUISA

Número põe Cidade em primeiro lugar em ranking que inclui outras sete capitais


Capital também ficou com o segundo lugar entre as com maior tempo gasto nos deslocamentos de ônibus
No Recife, o passageiro espera, em média, 35 minutos por um ônibus, o maior tempo entre os registrados em outras sete capitais brasileiras. É o que aponta uma pesquisa realizada pela Proteste, uma associação voltada à defesa do consumidor, que também pôs a Cidade em segundo lugar no ranking de tempo gasto no deslocamento após o embarque no coletivo, média que chega a 90 minutos. Uma pesquisa de origem-destino para atualização de dados coletados em 1997 está entre as promessas do órgão gestor do sistema para amenizar as falhas. Por enquanto, medidas que já começaram a ser implantadas, como os corredores exclusivos, ainda não atendem à maior parcela das pessoas que precisam do serviço.
O grande obstáculo continua sendo o congestionamento. De acordo com o Grande Recife Consórcio de Transporte, das 26 mil viagens diárias programadas, aproximadamente 6% deixam de ocorrer. Pior para o coordenador de operações Yan Gomes, de 36 anos, que já incorporou ao dia a dia as longas jornadas em pé nas paradas e coletivos superlotados. "Tenho carro, mas nem sempre é conveniente usar, então recorro ao ônibus. Só que tenho que pagar o preço do desgaste", relata. A opinião é endossada pela faxineira Maria da Luz da Silva, 49. "Enquanto uns têm o BRT, que é mais rápido, eu vejo o serviço piorar lá na Iputinga (Zona Oeste do Recife), onde moro. Tenho duas opções de linha e nenhuma atende bem", conta.
O gerente de operações do Grande Recife Consórcio, André Melibeu, explica que o órgão tem ciência dos problemas no atendimento, mas contesta os resultados da pesquisa. "O nosso sistema é metropolitano. Então, se um dos entrevistados por esse levantamento costuma ir de Olinda para o Recife, o contexto é diferente. Depende da dinâmica de cada localidade", argumenta.
Congestionamentos continuam sendo obstáculos
A licitação das linhas e o monitoramento da frota estão entre as ações que podem minimizar os transtornos dos passageiros. No primeiro caso, a força das obrigações contratuais deve ser uma garantia de que as empresas operadoras prestarão um serviço melhor. No segundo, a possibilidade de o usuário saber a hora em que o coletivo chegará aos pontos de embarque pode contribuir para o melhor planejamento dos deslocamentos.
"O Simop (Sistema Inteligente de Monitoramento da Operação) está em fase de implantação. Até o meio do ano, haverá o teste em 150 veículos", adianta Melibeu. "Os outros cinco lotes da licitação já têm seus vencedores, mas estamos vendo a necessidade de incremento ou retirada de alguns itens nos contratos. Então, ainda não podemos prever o início da operação", explicou o representante do Grande Recife Consórcio, acrescentando que as faixas azuis já têm tido efeito na diminuição dos intervalos entre os ônibus.
Os corredores exclusivos foram implantados pela Prefeitura do Recife na rua Cosme Viana e nas avenidas Marechal Mascarenhas de Moraes e Engenheiro Domingos Ferreira, todas na Zona Sul. Segundo a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), ainda no primeiro semestre, a mesma iniciativa deve chegar à avenida Recife.
    Pesquisa
    Conforme a pesquisa da Proteste, Curitiba é onde os usuários esperam menos tempo pelo ônibus: 18 minutos. Já a menor média de duração de percurso - de 56 minutos - pertence a Porto Alegre, e a maior - 93 minutos -, ao Rio de Janeiro. De acordo com a associação, os dados tiveram base em 3.045 questionários respondidos em todo o País, mas somente as informações relativas a oito capitais – Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo – ofereceram consistência para apontar conclusões.

    “Foi uma iniciativa que teve o objetivo de servir como um termômetro, inclusive de investimentos que vêm sendo feitos no setor. Em Curitiba, por exemplo, o pioneirismo da cidade em inovações no transporte contribuiu para os resultados, mas ainda assim, não podemos dizer que eles foram satisfatórios, mas menos piores”, explicou a técnica da Proteste e responsável pela pesquisa, Talita Trindade.
    O levantamento, que foi feito entre abril e maio do ano passado, constatou que os brasileiros gastam, em média, 80 minutos diários no transporte público, o que também inclui metrô, trens e barcas. Outro fator que chamou a atenção, especialmente em relação ao Recife, foi a insatisfação dos passageiros a respeito do retorno de reclamações feitas às empresas operadoras. Em 37,7% dos casos, queixas foram feitas oficialmente, mas em apenas 7,7% a resposta foi satisfatória, conforme as avaliações.
    Fonte Folha PE