GAROTO DE 12 ANOS É BARRADO EM ESCOLA POR USAR GUIAS DE CANDOMBLÉ

O jovem trajava branco e usava guias por baixo do uniforme escolar por conta dos preceitos da religão, mesmo assim, foi discriminado por professora e diretora


Um garoto de 12 anos, estudante da 4ª série do Ensino Fundamental em uma escola do Grajaú, bairro da zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, de acordo com a sua família, teria sido barrado, de acordo com o site de notícias G1, foi impedido de assistir às aulas pela diretoria da instituição por trajar uma bermuda branca e guias candomblecistas por baixo do uniforme. A denúncia foi publicada nesta terça-feira (2) pelo jornal fluminense O Dia. O estudante estava no processo de iniciação na religião, e, segundo a mãe do garoto, Rita de Cássia, após ela avisar à professora que seu filho iria começar os processos de iniciação no Candomblé, a mesma teria dito que, caso isso acontecesse, o garoto seria barrado, o que acabou acontecendo. De acordo com Rita, ela teria tentado explicar à professora que o filho iria ter de usar roupas brancas e as guias por conta de sua opção religiosa, mas a profissional não teria aceitado.

No Candomblé, é comum que os filhos escolham seguir a religião dos pais, mas não são obrigados

 O portal ainda tentou entrar em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Educação, mas não havia obtido respostas. Somente um mês após o acontecimento, após superar o constrangimento, a criança tentou voltar à escola, acompanhado da mãe. De acordo com ela, ao avistar o garoto, que andava à sua frente, a diretora, sem notar a presença da mãe, colocou a mão no peito do garoto e dito: "Aqui você não entra". Ao tentar argumentar que a utilização por três meses das roupas e guias, mesmo por baixo do uniforme, eram parte dos rituais de iniciação na religião, a diretora teria sustentado o impedimento e dito que "o problema" era da mãe do garoto.
A mãe do estudante disse que o garoto se sentiu humilhado pelo fato de ter sido barrado diante dos colegas e que teria chorado muito. Para ela, a diretora, no mínimo, deveria tê-la chamado para conversar com discrição, sem expor seu filho. Rita disse que ele retornou para casa cabisbaixo, teve febre e pensou até mesmo em deixar a escola.
Apesar da humilhação, Rita afirmou que seu filho é um garoto determinado e que, mesmo ela tendo pensado em deixar de lado os preceitos do Candomblé por conta do acontecimento, o jovem em momento algum vacilou em sua decisão de abraçar o Candomblé. "A escolha de entrar para o candomblé foi dele. Ele sabe o que quer, é muito firme nas decisões. Por nada ele larga a religião dele. Quando aconteceu isso tudo ele disse: ‘Se eu fosse muçulmano ou qualquer outra coisa eu deveria ser respeitado, isso é discriminação’. Se o meu filho estivesse com drogas, se tivesse arma tenho certeza que eles iriam tampar os olhos", afirmou a mãe.
Passados quatro dias do acontecimento, o aluno foi transferido para outra insituição de ensino, no mesmo bairro, onde foi bem recebido pelos novos colegas, professores e diretoria. “Depois que eu fui lá para pedir a transferência a diretora disse que não gostaria que eu levasse ele porque ele era um ótimo aluno. Mas o que ela não poderia era ter feito meu filho passar vergonha. Depois que ele foi tão humilhado, meu filho foi muito bem aceito na escola nova. Todo mundo me apoiou. Pra quem é mãe é muito difícil ver um filho sofrendo esse preconceito”, afirmou Rita de Cássia.
Setembro, para várias culturas afro-brasileiras, é o mês dos "Ibejis", onde as crianças de todas as raças, etnias e cultos são celebradas.

Fonte Folha PE