MORRE AOS 87 ANOS O ESCRITOR ARIANO SUASSUNA

Dramaturgo morreu em decorrência de uma parada cardíaca. Ele estava internado desde a última segunda-feira na UTI neurológica do Hospital Português



Autor escreve obras famosas como "Auto da Compadecida" e "O Romance d'A Pedra do Reino"
Em decorrência de grave acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico e uma parada cardíaca provocada por hipertensão intracraniana, morreu na tarde desta quarta-feira (23), no Real Hospital Português, o escritor paraibano Ariano Suassuna, aos 87 anos. Ele estava em coma e respirava com ajuda de aparelhos após ter sido internado com um sangramento no cérebro na última segunda-feira (21). O velório do autor será aberto ao público partir das 23h desta quarta-feira no Palácio do Campo das Princesas. O enterro acontece nesta quinta-feira, a partir das 16h, no cemitério Morada da Paz.
O autor de "Auto da Compadecida" sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e precisou passar por um procedimento cirúrgico de emergência na noite da última segunda-feira (21), no qual foram colocados dois drenos para controlar a pressão intracraniana vascular. Durante a tarde da terça-feira (22), surgiram rumores sobre a morte do dramaturgo, os quais foram desmentidos pela assessoria do hospital e familiares do paciente. Após a negação da morte, a assessoria do hospital liderou um boletim médico na noite da terça (22) informando que a situação clínica de Ariano havia passado de estável para instável, sendo registrada queda da pressão arterial e pressão intracraniana muita elevada no paciente.
A saúde do autor de “Auto da Compadecida” e de “O Romance d’A Pedra do Reino” estava fragilizada desde agosto do ano passado, quando o escritor precisou ser hospitalizado após sofrer um infarto agudo do miocárdio. Ele chegou a receber alta médica, mas teve que voltar ao Hospital Português depois de apresentar um quadro de aneurisma cerebral. Após se recuperar, Ariano continuou viajando pelo Estado para apresentar suas aulas-espetáculo, mesma atividade que desempenhou na sexta-feira passada (18), durante o Festival de Inverno de Garanhuns, quando foi visto em público pela última vez. Ariano deixa a esposa, Zélia, seis filhos e 13 netos.
Confira a nota de falecimento, na íntegra:
"O escritor Ariano Suassuna, em decorrência de grave Acidente Vascular Cerebral (AVC) Hemorrágico, faleceu nesta quarta-feira (23/07), às 17h15, no Real Hospital Português, onde estava internado desde a última segunda-feira (21/07). O paciente teve uma parada cardíaca provocada pela hipertensão intracraniana. A família ainda não informou os detalhes do funeral".
Obra
    Talvez a obra mais marcante do autor paraibano, radicado em Pernambuco, por seu apelo entre leitores e relevância na cultura popular, seja "Auto da Compadecida" (publicado originalmente em 1955), livro que condensa suas ideias sobre arte e vida. A história foi escrita originalmente para o teatro, mas depois foi adaptada, com sucesso de público, para o cinema. "O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta" (1979) também é outro destaque da obra de Ariano. Na época do lançamento, o livro foi considerado um marco na literatura nordestina, baseado na cultura popular, com inspiração na literatura de cordel, nos repentes e emboladas.

    Peu Ricardo/Folha de Pernambuco
    Ariano foi um dos idealizadores do Movimento Armorial
    Ariano se destacou também como um dos idealizadores do Movimento Armorial, uma escola de pensamento que tinha como objetivo intelectual criar uma espécie de arte erudita a partir de marcas da identidade da cultura popular. O Movimento pretendia investigar novas possibilidades de criação não apenas na literatura, mas também na música, na dança, nas artes plásticas, no teatro e no cinema. A proposta foi oficialmente lançada em 1970, com a produção de um concerto e uma exposição de artes plásticas no Pátio de São Pedro, no Centro do Recife.

    No fim de 2013, Ariano finalizou “O jumento sedutor”, o primeiro volume de uma série que vinha escrevendo há 33 anos. O título do livro foi pensado para celebrar "O ano de ouro", do escritor romano Lúcio Apuleio, que viveu no século II. A obra ainda não foi lançada.
    Fonte Folha PE